Prazer, Mar
- Marcela Vasuki

- 19 de fev.
- 1 min de leitura
Atualizado: 27 de fev.

Faz um tempo que reflito sobre minha forma de ser e estar no mundo, na verdade, sinto que essa inquietação me acompanha desde que me entendo por gente.
Sempre senti um afeto muito profundo pela experiência de estar viva. Sempre me senti profundamente afetada, eu digo. Atravessada. Muita emoção, águas profundas. Talvez por isso tenham um dia me apelidado de Mar. Combina mesmo comigo.
As artes manuais sempre me ajudaram nas travessias enquanto eu me sentia assim: atravessada. Pelas experiências no manejar da matéria, eu sentia que, mesmo entre duas mãos, cabia um mundo! Um mundo prenhe de sentido.
Foi assim no percurso: primeiro na prática da cerâmica e, mais tarde, na joalheria. Percebi que, em cada um desses caminhos, eu estava tateando o rumo de volta para mim mesma. São duas áreas aparentemente distintas, mas profundamente similares em seu cerne de alquimias: matéria-prima, ar, água e fogo... mas, principalmente, as profundas transformações que me causam. Na lida com a matéria, sinto que estou sempre me autolapidando; me transformo junto com o que moldo. E assim me encontro com a minha própria fênix, pássaro símbolo do meu signo.
Segui insistindo, e ainda sigo, por encontrar muito sentido. Então decidi criar este espaço para ser um respiro e um lugar de ancoragem, para que a insistência finalmente se desenvolva e estas águas ganhem um continente.
Em meio às profundidades da minha experiência vívida, sinto que, como o mar, apesar de intenso e profundo, se contrapõe também a ele uma atmosfera de calmaria e leveza. A parte serena da profundidade.
Aqui vou criando, dançando entre os opostos e aprendendo com isso.
Obrigada por estar aqui!
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